domingo, 26 de abril de 2009
O tempero (Bruna/Murilo/Marili/Bruno Galera)
"O riso é a menor distância entre duas pessoas"
(Victor Borge)
Acordo logo cedo
há tanta coisa por fazer
Plantão, estudo, almoço
quanta vida por viver
Há sempre uma esperança
[de fazer e ser feliz
Mas nada quer me ajudar
São pedras atiradas
e muros pra saltar
Caio no vazio que há
[em mim
Preciso escapar...
quero asas pra voar
Vou buscar
cada lágrima
[e dor que vi
Vou juntar
[com a beleza que há aqui
Vejo em seu olhar
[meu motivo pra lutar
E põe mais açúcar nessa massa
[que as dores
Viram notas doces
sons de múltiplos sabores
Quem quer a receita
[desse bolo que eu fiz
Ache num sorriso
[que o tempero é ser feliz.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Serenata na janela ('Tão Bela) - por Bruno Galera
“No viver tudo cabe.”
(João Guimarães Rosa)
Andava olhando o céu tão distraído
Perdido, meus pés pisavam em espinhos
[pedras no caminho...
E bela
[manhã o Sol em mim raiou
A chama de um novo amor
[me despertou
e agora eu canto...
Pra ela, acordes no meu violão
Ecoam as rimas, claves e os breves tons
De uma serenata
'Tão bela, me diz como se escreve amor
[com letras
Mistura de um liquidificador
Liquidifico a dor
Solidifico o amor
Liquidificador
Na janela, os versos sim são imortais
e sinceros, um tanto brega e banais
Mas, são seus
[quem diria...
que hoje eu olho à frente e decidido?
As flores venceram o asfalto e os espinhos
E sábio é o ditado que...
“É preciso sofrer depois de ter sofrido,
e amar, e mais amar,
[depois de ter amado”
Salve Guimarães!
'Tão bela, me diz como se escreve amor
[com letras
Mistura de um liquidificador
Liquidifico a dor
Solidifico o amor
Liquidificador
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Entre nós (Bruno Galera)
Entre você e mim
há algo assim
especial, sim
que me alegra
[o coração
de carinho, amor
sei lá o que é não
Entre você e eu
o português, meu
não sei falar
só sei cantar
e cantar desse meu jeito
[displicente
de inventar poesias
pra que todo mundo
saiba que o que eu canto
é, simplesmente,
[minha alegria
Entre você e eu
que agressão à gramática
mas, quem seria o tolo
de dizer que o amor
segue regras práticas?
E eu só sei cantar
e cantar desse meu jeito
[displicente
de inventar poesias
pra que todo mundo
saiba que o que eu canto
é, simplesmente,
[minha alegria.
Fernanda (Bruno Galera)
Coração de menina
sempre sabe o que quer
A perfeita harmonia
entre a poesia e a mulher
A coragem e a ousadia
Criativa, ela não conhece
limites para a imaginação
É a moça da cantiga
A dona desses versos
e da canção
Não dá, Nanda
não dá pra te esquecer
Nanda, não dá
queria te dizer
que deixar de amar você
desse jeito não dá
Ela tem esses olhos
que brilham como estrelas
e uma beleza angelical
Todo encanto em cada gesto
de sensualidade e o cristal
Todo sonho se converte
na Paz e na Alegria
que guiam esse seu coração
Não há verso ou melodia
que me expliquem sua paixão
Não dá, Nanda
não dá pra te esquecer
Nanda, não dá
queria te dizer
que deixar de amar você
desse jeito não dá
Não dá, Nanda
não dá pra te esquecer
Nanda, não dá
E enquanto eu viver
[e respirar...
Só Fernanda.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Dom de Maria (Bruno Galera)
“Maria, Maria
É um dom, uma certa magia,
Uma força que nos alerta (...)
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta (...)”
(Milton Nascimento / Fernando Brant)
Ao Sol, a luz anuncia
E a terra quer revelar
O que o vento soprou na poesia
E espalhou-se nas águas do mar
O som que não silencia
Nem pode a voz se calar
Mas, tudo parou e nem o dia,
Quis o tempo, passou devagar
A Lua, a noite vigia
Sem pressa de o dia acabar
A valsa parece magia
Quando Maria se lança a bailar
Maria, menina, tão moça
Já gosta de dançar
E encanta Maria
O fogo que inflama o teu olhar
Menina Maria, não tenho
Palavras pra cantar
Teu encanto, Maria
Minh’alma toda parece enfeitiçar
Ao ritmo que marca e vicia
E a saia que roda no ar
As mãos se tocam macias
Dois corpos a se entrelaçar
Aos amantes, prazer e epifanias
E aos poetas, o dom de versar
E tudo que outrora perdia
Hoje é tempo de recuperar
A paciência, a sabedoria e a paz
A arte é querer e ousar
Fazer da vida uma dança
[e mestria
Para os passos
Eu saber te guiar
Maria, menina, tão moça
Já gosta de dançar
E encanta Maria
O fogo que inflama o nosso olhar
E hoje Maria, eu tenho
a palavra pra cantar
Maria, Maria
Minh'alma agora tem seu par.
Estrela cadente (Bruno Galera)
Quando vi aquela estrela
Todo céu se ofuscou
Envolveu-me com encanto
E o menino no poeta
[transformou
Verso em canto
Sinestesias, rimas, beijo e dor
E, à noite, a estrela se apagou
Veja bem, foi só uma nuvem que passou
Mas, descobri algo um tanto diferente
Há outras estrelas que iluminam
o mesmo céu na minha frente
Aquela estrela que ainda brilha
é menina e sempre será
Acontece que descobri outras estrelas
e quantos segredos podem guardar?
Quantos mistérios encondidos no instante de um olhar?
Revelar-se-ão novos caminhos
e novas estrelas para guiá-los
Eu, ainda que sozinho, sei que amar
é como a luz que ilumina essa estrada:
Provém de tantas estrelas quanto
meus olhos não são capazes de contar.
Alvorada (Bruno Galera)
(Carlos Drummond de Andrade)
Abra a porta.
Vê janela.
Sai pra ter o mundo,
vem ouvir raiar o dia
e eu vou lhe mostrar
que quanto mais a gente teima,
menos sopra ventania
e a vida não espera;
já é tempo de voar.
O teu quarto que era escuro,
hoje não é mais;
tua mente se liberta
em Sol, dós e lás;
ré-mi no mar
[da esperança,
fá-si valer a pena,
e lembrar que é preciso
prantos para navegar.
Abra a porta.
Vê janela.
Sai pra ter o mundo;
vem provar do mel
e o dia pinte azul-grená,
misture ao amarelo-ouro,
o verde das florestas.
Dize ao branco das estrelas
que é tempo de brilhar.
Clara manhã
como és bem-vida!
O amanhã, quem sabe?
O que o futuro nos reserva
[só ele que dirá;
e se houver qualquer silêncio,
põe alguma melodia.
Cante, brilhe e sorria
que sempre é tempo para amar.
E a alvorada traz primeira
luz que reflete em teu olhar.
