sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tempos de chuva (Bruno Galera)

Quando escrevi "O Tempero" pensei em uma certa massa na qual, quando acrescida de açúcar, as dores viravam notas doces e sons de múltiplos sabores! Acredito que encontrei nessa nova letra (e música) outra essência dessa massa, a qual é a vida humana em seus mais diferentes temperos! "De um potinho de massinha" eu recrio minha intimidade enquanto poeta, minha cor e essência musical! Eu sou o mestre do meu destino, capitão de minha alma, almirante de aventuras e desventuras de minha vida! Ela é a princesa, a flor, a musa e o primeiro tom dessa música (o essencial)! Se "falar de amor exige mestria", eu reúno Chico, Vinícius, Tom, Oswaldo, Taiguara, Camões, Nando e tantos outros como meus mestres maiores, homenageando-os em trechos dessa canção que, com um tom nostálgico e outro empolgante, re-vive a maior aventura humana, aquela que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda. Perdoe-me, Cecília! Não estou falando de liberdade apenas...


De um potinho de massinha
e da arte de modelar
Eu fiz soar assim
[mansinha
Prenda imensa
Meu carinho, teu olhar

Em busca de algo além
[do infinito
Como a quem vence em
[Trafalgar
Sou almirante e o meu destino
é feito de sal, terra e
[a - mar

Vai, parte para R-O-M-A
Quem sabe quando voltar
invertendo-se as letras
A-M-O-R, você há de me
[encontrar?

De um potinho de massinha
e da arte de encantar
Entendi que só mar
não há fronteiras
E meu abraço é
[teu conforto, nosso lar

Como mestre do meu caminho
Minha vida é um carrossel
Sou trovador e nos tempos
[de chuva
Princesa, eu sou teu menestrel

Vai, parte para R-O-M-A
Quem sabe quando voltar
invertendo-se as letras
A-M-O-R, você há de me
[encontrar?

Por isso, meu bem
olhe e cuidado
Para que esse medo
[de me amar
Não faça esse olhos
passarem pelos meus
Sem você se-quer notar...

que a vida passa num instante
Sem fantasia, é muito pouco
[pra sonhar
Falar de amor exige mestria
E nesse fogo a chama arde
[sem queimar

Vai, parte para R-O-M-A
Quem sabe quando voltar
invertendo-se as letras
A-M-O-R, você há de me
[encontrar?

domingo, 27 de dezembro de 2009

Sirenatta (Bruno Galera)

"Sirenatta" é um neologismo. Trata-se da junção carinhosa entre "sirenetta", que significa "pequena sereia" em italiano, e serenata. Lenda e música, mulher e som, melodia. Para quem me tem do jeito artista, poeta, menino e companheiro, e só ela tem. Buon giorno, principessa!


Well, tem som e o vento

quando baila no mar

faz castelos de areia

e a princesa ao luar

enfeita-se de estrelas

conchas vestem seu véu

sereia, sirenetta, serenata

ser mel...

e o dia, well, tem samba

capoeira e oxalá

Oxum na cachoeira

óia o canto

[e o sabiá

anuncia que hoje é festa

e vem pra dançar

que a noite é uma folia

e nela eu vou é me esbaldar.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Paraty (Mar Branco)

"Alma vai além de tudo que o nosso mundo ousa perceber".

É com esta passagem da letra de "Anima" de Milton Nascimento e Zé Renato que procuro a inspiração lapidada para escrever sobre algo tão íntimo quanto a redescoberta de si em si mesmo. O que é ser poeta revelado em menino e o menino recriado no poeta? Ser feixe e a luz é minha cor e essência? Ser pedra transformada em límpido cristal? Ser a voz calada não o silêncio?

Lembro-me de um Soneto de Camões:

"Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim como a alma minha se conforma,

Está no pensamento como idéia;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma"

Na busca pela inspiração além da matéria, recordei-me de Alan Kardec ao escrever que

"Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sempre, tal é a Lei".

Eis minha mais nova composição inspirada ainda no lindo comentário de uma eterna fonte de inspiração e admiração mútua: "Outra Brilhante Rapsódia, Impetuoso Gênio Admirador Da Arte! Poesia Ensolarada, Lira Afetuosa, Melodia Universal: Sensações Insensatas Curiosamente Aflorando!"

Renascer em ty
da fonte o curso
imerso em meio
antes do Sol
nascer em si
o primeiro
[sopro o vento
reinventa o mar.

Renascer em mim
calada a voz
não o silêncio
no fim o início
o novo, um recomeço
feixe de luz de
cor e essência.

Renascer em ty
da pedra um límpido
[cristal
na boca um doce
’sabor divino
[e o sal
como brilha.

Renascer em mim
do todo que não existia
e o que da noite
em claro
[fez-se o dia
no menino
o poeta nele
[revela.

Renascer enfim
o que há de mais puro
[e belo
navegando em mares tão diversos
Universos
[uno versos
Encanto, Paraty

Clara
Luz
Anima
Um
Dia
Inteiro
Amor.



sábado, 24 de outubro de 2009

Florescer (Bruno Galera)

Florescer é vida, é arte pintada de poesia nas cores do amor. Fiz essa canção ensolarada porque meu coração é Sol que "pinta um’aquarela"; porque quando alguém está só existe sempre quem se transforme em tela para, juntos, colorirem a vida. Como Drummond profetizou que "uma flor nasceu na rua", assim nascem as paixões. Minha paixão pela poesia floresce nesses versos. Ensolarize você também sua vida, sua arte! A lembrar que das flores, o jasmim significa graça e beleza delicada; a camélia revela-se como a grandeza da alma em sua perfeita beleza; o alecrim é a coragem e a felicidade; já o cravo se tempera com o aroma da canela para significar o amor puro e latente, a entrega e também a liberdade. São muitos os significados...encontre a sua própria flor-essência para brilhar, sempre.



Vem, ela vem, ela vem, ela vem (2x)


Vi o Sol pintar um’aquarela

Quando eu só, você se fez em tela

E cores, mil cores, sabores e

[jasmim.


Vem, ela vem, ela vem, ela vem (2x)


Veio moça, o mel, o amor e bela

Fez-se em vida toda a primavera

E flores, mil flores, camélia e

[alecrim.


Vem, ela vem, ela vem, ela vem (2x)


Misturei ao cravo e à canela

O meu todo que me cabe nela

Vem, faz um bem esse dengo

[ó meu bem.


Vem, ela vem, ela vem, ela vem (2x)


Nasce fonte, a arte oculta e vela

O laço, o verso e nasço sentinela

de quem só me tem desse jeito

[e ela tem...


Vem, ela vem, ela vem, ela vem (2x)

Vem, ela vem, ela vem, ela flor e ser (2x)


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Cantiga para Camila (Bruno Galera)

Nota de um Diário de Bordo encontrado em uma antiga embarcação: "Para Minhocamila (Amiga da Terra), minha eterna dupla, amiga e companheira de várias aventuras; eu, Galera Caravela (Amigo da Navegação), dedico os versos dessa cantiga com a esperança de que a terra e o mar sempre se encontrem no abraço de uma onda, no aconchego de uma praia, nas mudanças da maré e na segurança de um porto onde todo navegante deseja, simplesmente, reencontrar quem tanto ama e, ali mesmo, repousar." (G.C.)

“Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?”
(Caetano Veloso)

Vem cá, menina, vem
que agora eu vou
[te mostrar
quanta beleza que existe,
[morena,
quando a terra deságua
[sobre o mar.

Como uma onda
[que beija
a praia e com ela
[quer se enlaçar
Eu faço de um sopro
uma brisa que leve
[a cantiga onde quer
[que eu navegar...

Ah, quanto eu naveguei
e desejei ter asas pra voar
mas, só nos teus braços,
[menina,
é em terra firme
que eu quero me
[deixar.

Vem cá, morena, vem
que agora eu vou
[te en-cantar
há tantas estrelas,
[menina,
que refletem nas águas
[o teu olhar.

Como quem pudesse
[as conchas
na praia uma a uma
[contar
Eu conto os contos
[cantando a cantiga
qual uma concha assovia
[o som do mar...

Ah, quanto qu’eu amei
me lancei e nessa dança
[eu sou teu par
E por mais distante
que eu esteja,
eu te encontro há tempo
[de caetanear.

Vem cá-mila, vem
que agora eu vou
[te mostrar
quanta beleza que existe,
e a vida é um porto onde
[eu sonho te encontrar.

domingo, 5 de julho de 2009

Olhos de Alline (Bruno Galera)

Sempre admirei a habilidade de alguns poetas em fazer arte das coisas mais simples, cotidianas. Manuel Bandeira e seu eterno "Poema retirado de uma notícia de jornal" é um ótimo exemplo desse feito. Os olhos parecem tão comuns quanto uma notícia de jornal, não acham? Porém, acredito que o olhar guarda em si um irrevelável mistério: nossa alma; porque temos nos olhos o reflexo daquilo que somos. Eu me permiti nessa singela homenagem a uma amiga minha refletir um pouco sobre esse efeito enigmático e, ao mesmo tempo, revelador, que é descobrir no outro um pouco da nossa própria essência, dos nossos próprios mistérios. Não costumo escrever poemas, contudo aqui está uma tentativa à minha maneira de refletir sobre o quanto estamos ligados, mesmo que por um instante, mesmo que por um breve e súbito olhar.



Os olhos de Alline são um convite.

Um convite para admirar as delícias

[de ser mulher.

Não as de sentido carnal;

sim as do prazer em ser e de viver.

São olhos que a-guardam

[um mistério

Um encanto em cada canto

[escondido.

Está ali, esperando por algo

[que talvez nunca chegue.

Todo este segredo

talvez nunca se revele

(e nem é preciso).

Ao olhar, sinto e

[me desperto

Porque tenho

[mais vida.

Porque desejo

[algo mais

(mesmo sem entender o que),

quando estou diante

dos olhos

[de Alline.

domingo, 26 de abril de 2009

O tempero (Bruna/Murilo/Marili/Bruno Galera)

Essa música fez parte da Apresentação Anual 2009 do projeto "Amigos do Sorriso - Alegria na FAMEMA" do qual faço parte como o "Galera Caravela", o Amigo da Navegação. É uma música composta a oito mãos. Orgulho-me de fazer parte desse projeto com tantos talentos. Agradeço nossos maiores inspiradores e professores: as crianças! Em especial, homenageio aqui os parceiros nessa canção: Mumusicalizando (Amigo da Cantiga), Primaveli (Amiga da Primavera) e Fifi - flautina (Amiga da Flauta). Parabéns também à equipe 2008 que, além dos personagens já citados, incluem: Cantariana, Marincena, Ruraldo, Belaistória, Minhocamila, Fred - Mochileiro, Hugolino, Jaquelétrica e Lina Bailarina. Pq a essência da vida é buscar em nós mesmos um tempero. Este dá o brilho àquilo q fomos, somos e seremos, sempre. O tempero é ser feliz!


"O riso é a menor distância entre duas pessoas"
(Victor Borge)


Acordo logo cedo
há tanta coisa por fazer
Plantão, estudo, almoço
quanta vida por viver
Há sempre uma esperança
[de fazer e ser feliz

Mas nada quer me ajudar
São pedras atiradas
e muros pra saltar
Caio no vazio que há
[em mim
Preciso escapar...
quero asas pra voar

Vou buscar
cada lágrima
[e dor que vi
Vou juntar
[com a beleza que há aqui
Vejo em seu olhar
[meu motivo pra lutar

E põe mais açúcar nessa massa
[que as dores
Viram notas doces
sons de múltiplos sabores
Quem quer a receita
[desse bolo que eu fiz
Ache num sorriso
[que o tempero é ser feliz.